24 / 07 / 26

Junho trouxe oportunidades de faturamento, mas cenário econômico restringiu o consumo

Com 0,7% de elevação, Intenção de Consumo das Famílias (ICF) manteve-se estável em Maceió. Juros altos e inflação desestimularam as compras

Se a expectativa do comércio era uma ampliação do consumo, em junho, impulsionada pelas festas e comemorações do período, a realidade se mostrou mais retraída: a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), de Maceió, praticamente se manteve estável ao subir 0,7% na variação mensal, saindo dos 98,3 pontos, em maio, para 99,0 pontos. A pesquisa é do Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços (CNC). Na variação anual, ao sair dos 117,6 pontos registrados em junho de 2025 para os 99 pontos do último mês, o indicador traz retração de 15,8%.

Considerando as características próprias do mês, que reuniu estímulos importantes para o comércio de bens e de serviços, como o costume de presentear dos enamorados, as tradicionais festas juninas e o torneio mundial de futebol, o crescimento na margem indica que esses eventos funcionaram como amortecedores da queda da confiança. “Além disso, junho também foi marcado por uma taxa básica de juros ainda muito elevada, mesmo após redução para 14,25% ao ano, mantendo caro o financiamento de compras parceladas e limitando decisões de maior valor”, analisa o assessor econômico do Instituto, Lucas Sorgato.

Ainda segundo o economista, o IPCA do período desacelerou 0,16%, com queda de 0,24% nos preços de alimentos e bebidas, mas como a inflação acumulada (12 meses) permaneceu em 4,64%, as demais despesas seguiram pressionando o orçamento das famílias e praticamente absorveram o pequeno alívio no custo dos alimentos.

 

Estímulos sazonais movimentaram o setor, mas não restauraram a confiança das famílias

Dos sete subindicadores que compõem o ICF, apenas o de Perspectiva de Consumo teve desempenho negativo na variação mensal, com -2,57%, ficando em 84,7 pontos. Com 128,6 pontos, o de Perspectiva Profissional subiu 0,45% e permaneceu como o componente mais elevado, indicando aumento na percepção de oportunidades de trabalho a curto prazo, fato reforçado pelo subindicador de Emprego Atual, que atingiu 112,4 pontos ao avançar 0,95% em relação a maio e refletiu um aumento temporário da atividade no comércio, no turismo e em serviços com os eventos trazidos por junho.

Os demais desempenhos foram: Renda Atual, 111,1 pontos (1,65%); Consumo Atual, 81,7 pontos (0,18%); Crédito, 97,8 pontos (1,52%); e Bens Duráveis, 77 pontos (2,90%). Na variação anual, todos tiveram desempenho negativo. Isso indica que, apesar da ampliação do fluxo de consumidores no mês, o orçamento familiar ainda está limitado. Com isso, as melhoras do mês ainda não foram percebidas como uma mudança estrutural.

“A recuperação mensal foi pequena e o ICF permaneceu abaixo de 100 pontos. A principal mensagem econômica é que os estímulos sazonais conseguiram movimentar vendas e serviços, mas não restauraram a confiança das famílias. O consumo atual continuou deprimido, a perspectiva futura piorou e o crédito permaneceu restritivo para a maior parte da população”, afirma Sorgato. Para o economista, junho ofereceu oportunidades importantes de faturamento para o comércio de Maceió, mas os resultados dependeram mais da capacidade empresarial de aproveitar as datas e os eventos do que de uma recuperação ampla e espontânea da demanda.

 

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