
O uso de uma tecnologia simples, adequada à realidade dos produtores, está mudando o conceito do plantio de palma adensada, gerando uma maior produtividade na região da bacia leiteira batalhense. Quem garante é o agente de desenvolvimento do Banco do Nordeste de Batalha, José Francisco Nunes. Dezenove produtores daquela área já utilizam a técnica, fruto de um projeto que tem como parceiros o BNB e a Secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas.
A Seagri investiu na pesquisa e difusão de tecnologia para aumentar a produtividade da palma forrageira, que serve de alimentação para o gado nos períodos de estiagem. O projeto está sendo implementado também nas regiões atendidas por unidades do BNB de Mata Grande, Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema, totalizando 15 unidades.
O Banco do Nordeste apoiou desde o início a pesquisa, com recursos não reembolsáveis, que já totalizam cerca de R$ 49 mil, oriundos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci). Além disso, os produtores recebem crédito para implantação de unidades de produção da palma adensada em suas propriedades.
Produtividade
Segundo Nunes, a unidade do BNB de Batalha já financiou R$ 211 mil, com recursos do FNE, para os produtores do projeto, voltados à atividade da bovinocultura de leite nos municípios de Batalha, Belo Monte, Major Isidoro, Olho D’Água das Flores e São José da Tapera.
“Com a tecnologia, o produtor utiliza uma área menor para o plantio, obtendo uma produtividade maior, liberando outras áreas para diversificação de culturas e pasto para os animais”, esclarece o agente de desenvolvimento do BNB. Ele informa que a produtividade chega a 300 toneladas de palma por hectare, o que dá para alimentar 30 animais durante cerca de 180 dias.
Nordeste Territorial
Para o gerente da Célula de Desenvolvimento Territorial do BNB em Alagoas, Ítalo Seixas, o papel do agente de desenvolvimento é fundamental na difusão da tecnologia. “A atividade de bovinocultura de leite faz parte do Projeto Nordeste Territorial do BNB de Batalha, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema e Mata Grande. Como a utilização da palma forrageira influencia diretamente nessa atividade, o agente acompanha os campos experimentais da palma adensada e divulga junto aos demais produtores os resultados já alcançados”, disse.
Quem atesta a importância do uso da tecnologia é Seu Antônio Gerson da Silva, que tem uma propriedade de 170 tarefas em Olho D’Água das Flores, de onde tira o sustento para sua família, com cinco filhos. Antes, ele plantava a palma e só colhia com quatro anos; agora, com a técnica, após dois anos a palma está no ponto de corte. “Está sendo tão bom que os vizinhos já querem copiar minha experiência. Estou programando ampliar a área de palma adensada para mais 10 tarefas. Essa tecnologia veio para ficar e nós produtores agradecemos ao BNB pelo apoio que nos têm dado”, comemora o produtor.
Convivência com a seca
Seixas lembra ainda que as atividades desenvolvidas pelo Nordeste Territorial não são apenas creditícias e que os projetos apoiados pelo Fundeci vêm a complementar ações dos agentes de desenvolvimento, contribuindo para a estruturação de territórios.
“Recentemente, o Fundeci liberou cerca de R$ 29 mil para outro projeto da Seagri, do mesmo pesquisador da palma adensada, Prof.º Fernando Gomes, intitulado Utilização do Sorgo Forrageiro na Produção e Conservação da Forragem para Alimentação de Ovinos e Caprinos no Semi-Árido Alagoano. Os produtores atendidos pelo BNB de Mata Grande e Santana do Ipanema já estão se beneficiando da utilização do sorgo, sendo importante no desenvolvimento das cadeias produtivas da ovinocaprinocultura daquela região”, ressalta o gerente do BNB.

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