31 de maio de 2017

Indicador de consumo retrai em maio e reflete desemprego

Em maio, houve uma queda de 7,4% no consumo e, pela primeira vez no ano, o consumo das famílias foi menor do que o mesmo mês do ano anterior, ou seja, comparando maio de 2017 e de 2016, a redução é de 1,66%. Os números são da pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento do Estado de Alagoas, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (CNC).

Na análise do assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, há uma situação atípica: em geral, quando o consumo se eleva, naturalmente o endividamento cresce junto. Porém, em maio, apesar de ter registrado o mais alto nível de endividamento desde janeiro de 2016, o consumo registrou queda. Isso indica que “as pessoas não estão se endividando porque estão comprando, mas sim porque estão utilizando o crédito para pagar contas como água, energia e telefone, que já podem ser pagas via cartão. É uma tentativa de fechar as contas do mês; um problema que surge decorrente da diminuição da renda e do crescente desemprego”, explica.

E esse comportamento acaba refletindo em estabelecimentos como restaurantes, bares, turismo e até supermercados – pois os consumidores cortam itens considerados supérfluos – dentre outras atividades. “Há um reposicionamento inevitável dos consumidores, que buscam manter as contas em dia e reduzem para o básico a aquisição de alimentos, além de reduzir o lazer, afetando diversas atividades do setor do comércio e de serviços”, pondera Rocha.

 

Dados

Entre os indicadores analisados, a pesquisa do Instituto Fecomércio sinaliza o consumo por faixa de renda. As famílias que recebem menos de 10 Salários Mínimos (S.M.) reduziram o consumo em 7% em relação a abril e, 2,9%, quando comparado a maio do ano anterior. Já entre as que recebem mais de 10 S.M. houve uma redução ainda mais acentuada: 10,93% (abril) e 14,21% (maio de 2016).

Em relação à situação no emprego, os níveis de segurança sobre a manutenção do emprego, que já havia registrado baixa em desde abril, teve retração de – 2,2% no total. Detalhando, essa redução é de – 1,5% para os que recebem até 10 S.M. e de -9,6% para aqueles que recebem mais de 10 S.M.

“É notório entender que os que possuem uma faixa de renda superior estão em cargos executivos de gerência e acima, trazendo maiores responsabilidades compatíveis aos seus salários. Porém, receitas menores das empresas nas quais gerenciam acabam por tornar seus empregos mais fragilizados, visto que o custo de mantê-los é maior e, com isso, suas incertezas se elevam o que explica essa redução da segurança em 9,6%”, avalia o economista.

Como estamos lidando apenas com incertezas como insegurança no emprego, e não com desemprego de fato, os consumidores permanecem com uma sensação levemente superior ao ano passado sobre o poder de compra de seus salários, de 0,7%. A redução abrupta da demanda dos últimos dois anos e meio (desemprego), a redução dos juros e as chuvas adequadas para o período (que elevam a oferta de insumos e alimentos), têm proporcionado elevação mínima dos preços na economia doméstica (em alguns casos, deflação), ocasionando, para aqueles que estão empregados e possuem renda, uma sensação melhor em seu poder aquisitivo.

Esta sensação sobre notar preços melhores do que os praticados no ano passado não tem refletido em consumo de fato. É o que os dados apontam. Em maio, houve redução de 4,8% na aquisição de produtos a prazo e, mesmo com preços melhores, os consumidores estão consumindo 19,2% a menos do que no mesmo mês de maio do ano anterior. No horizonte de médio prazo (6 meses), os consumidores têm a expectativa de consumir 21,1% menos do que no segundo semestre do ano passado. Se não há renda, não há consumo e o momento para aquisição de bens duráveis também se fragiliza, havendo uma redução de 16,5% em relação a abril.

Clique aqui e confira o relatório completo.

31 de maio de 2017

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