29 de janeiro de 2020

199 mil consumidores da capital estão endividados

Se por um lado o endividamento aumentou 2,5%, houve redução de 2,7% no atraso das contas e de 4,44% na inadimplência

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) demonstra que, em dezembro, houve elevação de 2,5% no número dos endividados em Maceió. Agora, o total de consumidores com dívidas é de 199 mil; em novembro, eram 194 mil. Os números são do levantamento do Instituto Fecomércio AL, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Se por um lado o endividamento aumentou, a pesquisa indica redução de 2,7% no atraso nos pagamentos (82 mil ante 84 mil) e de 4,44% na inadimplência (51 mil ante 53 mil). Na análise do assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha, os números demonstram que a alta do endividamento foi puxada pela aquisição de bens e serviços e para evitar a rolagem de dívidas.

“Os dados refletem que os maceioenses utilizaram o 13º salário para quitar dívidas antigas e contas em atraso. E isso ratifica a pesquisa realizada por nosso Instituto, em dezembro, sobre intenção de consumo no Natal, quando já havíamos previsto que boa parte do 13º salário seria utilizado para reduzir dívidas”, avalia, acrescentando que na época, 38,83% dos entrevistados sinalizaram usar o adicional para esta finalidade.

Na variação anual, o endividamento, o atraso de contas e a inadimplência estão acima da registrada no mesmo período de 2018: o ano passado foi encerrado com 5,58% a mais endividados, atrasando 14,62% mais contas; e com 4,77% consumidores mais inadimplentes. Para o economista, isso se deve ao aumento da informalidade e do desemprego na região, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), rebaixando salários e criando dificuldades para pagamento das dívidas.

 

Outros números

O cartão de crédito foi o principal instrumento utilizado na obtenção das novas dívidas (88,1%), seguido pelos carnês de loja (11,8%) e outros meios de endividamento (5,1%). Como os entrevistados podem responder a mais de uma forma de endividamento, a porcentagem fica acima dos 100%.

Dentre os 82 mil que estão atrasando suas contas, 41,5% indicaram que existe outro membro de sua família com a mesma dificuldade. Já para 58,5% dos entrevistados, apenas eles estão em situação de atraso no pagamento das dívidas.

Entre os 51 mil inadimplentes da capital, apenas 3,5% terão condições de saírem integralmente situação; 14,3% sairão parcialmente via tentativa de acordo; e 62,3% continuarão sem pagar as contas. Em média, o atraso no pagamento já ultrapassa os 80 dias. “Agora, com a criação do cadastro positivo, certamente o score dos consumidores nesta situação estará entre 0 a 300 pontos, dificultando a contratação de novos empréstimos e além da inserção do cadastro negativo”, observa Felippe.

Em média, os endividados têm parcelado suas contas em 6 parcelas, ficando metade do ano com renda menor. E por falar em renda, o comprometimento com dívidas já alcança cerca de 29,7% da remuneração, ligando o sinal amarelo, pois o limite saudável é de 30%. “Acima disso, haverá dificuldade de pagamento não apenas dessas dívidas, mas para manutenção do dia a dia”, ressalta o economista.
Relatório completo aqui.

29 de janeiro de 2020

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