3 de outubro de 2019

Aprendizagem: a porta para o mundo do trabalho

Somente em 2018 foram capacitados pelo Senac mais de 1.500 jovens, gerando mais de 420 mil horas de ensino

Wanderson Costa | Coordenador de Programas Sociais do Senac Alagoas

Conhecido por suas proporções continentais e riquezas, o potencial do nosso país também está presente nos nossos jovens ávidos pelo mundo do trabalho e por oportunidades de crescimento. O Programa de Aprendizagem Profissional oferece essa oportunidade, mas, apesar de ser considerado a porta de entrada ao mercado para os jovens, a Aprendizagem ainda possui abrangência limitada no Brasil.

É de senso comum entre especialistas que tanto as empresas como a sociedade brasileira têm apenas o que ganhar, caso a Aprendizagem seja de fato consolidada no contexto econômico nacional. Mais que uma política pública, o Programa tem o poder de transformar a realidade dos jovens aprendizes e suas famílias, afastando-os da vulnerabilidade social, violência e desemprego.

Esse ciclo virtuoso iniciou-se com a criação da Lei do Aprendiz, em 2000, que afirma que as empresas de médio e grande porte devem contratar jovens com idade entre 14 e 24 anos, com o intuito de introduzi-los dentro das empresas e oferecer-lhes qualificação profissional para que eles tenham a oportunidade de conquistar um futuro digno.

Do ponto de vista empresarial, a Aprendizagem apresenta-se como um recurso estratégico para suprir a carência de mão de obra qualificada, que ainda é observada em diversos segmentos de atuação profissional e que está diretamente vinculada à baixa produtividade. O Programa também se apresenta como uma importantíssima ferramenta de conscientização no combate ao trabalho infantil, que continua roubando a infância e destruindo o sonho das crianças e adolescentes brasileiros.

Nos últimos cinco anos, o Programa não conseguiu grandes avanços à nível nacional, estando muito aquém da capacidade de contratações estipulada pelas empresas. Fica claro, portanto, que ainda há muito para avançar quanto ao desenvolvimento de políticas acessórias que deem sustentação ao Programa de Aprendizagem.

Em Alagoas, essa realidade não é muito diferente. Dados do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, de maio de 2018, indicam que apenas 6,33% das vagas destinadas aos jovens haviam sido preenchidas pelas empresas alagoanas. Um índice bastante inexpressivo, que colocou o estado como o segundo pior do país para contratação de Aprendizes.

Por isso é necessário o desenvolvimento de estratégias e campanhas de conscientização para que o Jovem Aprendiz seja cobiçado pelas empresas locais e seu desenvolvimento seja visto como um ganho para a sociedade alagoana em geral.

Em meio a este complexo cenário, o Senac Alagoas coloca-se com um pilar de sustentação ao Programa, utilizando primordialmente o PSG – Programa Senac de Gratuidade, como fonte de incentivo às empresas para cumprirem suas cotas. Somente em 2018 foram capacitados mais de 1.500 jovens, gerando mais de 420 mil horas de ensino. Em 2019, esperamos superar estes números, reafirmando nosso compromisso em promover os jovens alagoanos ao mercado de trabalho e contribuindo para o desenvolvimento da região.

3 de outubro de 2019