5 de setembro de 2019

Consumo das famílias maceioenses volta a cair

A liberação de até R$ 500 do FGTS e a Semana do Brasil poderão alavancar o consumo

O Índice de Consumo das Famílias (ICF), em Maceió, reduziu 5,6% em agosto, quando comparado com o mês anterior e 0,19% em relação ao mesmo período do ano passado. A pesquisa do Instituto Fecomércio, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta para uma estagnação. Ao analisar os números deste ano, é possível constatar que os consumidores da capital alagoana estão apresentando oscilação no consumo. Os primeiros quatro meses de 2019, houve queda. Já nos meses de maio e junho foram registradas alta, em função do Dia das Mães e Dia dos Namorados. Agora, mais dois meses consecutivos de queda do consumo em Maceió.

Em termos nacionais, a indústria teve um desempenho aquém do esperado. Em junho, caiu -0,6%; em maio, -0,1%; e, em abril, cresceu +0,3%. O comércio nacional também obteve uma variação no segundo trimestre negativa. Em junho, +0,1%; em maio, 0%; e em abril, -0,4%. Com o setor de Serviços não foi diferente. Em junho, -1%; maio, +0,1%; e abril, +0,3%.

Alagoas apresentou desempenho parecido, o Comércio caiu -2% em junho, cresceu 0,6%, em maio, e caiu -2,8%, em abril. Já o setor de Serviços apresentou alta em junho de 1%, queda em maio de -1,9% e alta, em abril, de 0,1%. “Dessa forma, os dados mensais divulgados pelo IBGE, mostram um desempenho ainda muito tímido da economia brasileira e alagoana”, afirmou o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha.

Em termos de empregabilidade, o país conseguiu gerar mais de 210 mil postos de trabalho formais no segundo trimestre, considerado um resultado positivo. No entanto, em Alagoas, o mesmo trimestre apresentou saldo negativo em 6.299 postos de trabalho. Maceió apresentou desempenho negativo com menos 1.980 postos de trabalho. “Alagoas apresentou redução da taxa de desemprego muito mais por conta do aumento do emprego informal, da atividade por conta própria e da manutenção da taxa de desalentados do que pela geração de postos de trabalho”, observou o economista.

O terceiro trimestre do ano abre com a informação divulgada no último dia 3, pelo IBGE, de que a atividade da indústria brasileira caiu, em julho, 0,3% e acumula queda no ano de 1,7%. Comparando o desempenho de julho deste ano ante o do ano passado, o desempenho foi 2,5% menor.

“Com toda esta turbulência na atividade, os consumidores acabam se contendo, esperando que o mercado se acalme e os investimentos voltem a acontecer. Embora os consumidores estejam apresentando incerteza para consumir, mostram confiança sobre a manutenção de seus postos de trabalho”, explicou Felippe.

Conforme a pesquisa, a confiança de manter o emprego atual apresentou alta de 4,4% na variação mensal e a esperança de aumento de salário ou de melhora profissional se elevou em 9,3%. “O motivo é que, em Alagoas, o segundo semestre sempre apresenta melhora nas contratações. E, o incentivo econômico do Governo Federal, que se inicia em setembro, com saques de até R$ 500 e a semana do Brasil que começa no dia 06/09 com promessa de descontos de até 80%, ajudam a elevar a confiança do trabalhador de que venderá mais e conseguirá comissões e manter seu emprego”, afirmou.

A inflação baixa apresentada pelo país (ainda por falta de estímulo a demanda), com o IPCA 15 de agosto mostrando variação de apenas 0,08% e da inflação acumulada no ano, até julho, de apenas 2,42%, reafirma a sensação de que a renda atual é superior ao mesmo mês do ano passado (agosto/19 ante agosto/18), em 2,7%.

Mas, mesmo com a sensação da renda superior, o desempenho econômico abaixo do esperado faz com que os consumidores ajam com cautela em termos de consumo. As compras a prazo por meio do cartão de crédito caíram 12,1%, em agosto deste ano, comparado com o mesmo mês do ano passado. O nível de consumo atual ante agosto de 2018 é 14,8% menor.

A intenção de consumir até o final do ano, comparado com o mesmo período de setembro a dezembro de 2018 é 12,6% menor. “Claro que, com as medidas de estímulo ao consumo, adotados pelo Governo Federal, os dados tenham inflexão positiva”, comentou. Por último, o consumo de bens duráveis caiu 24,9%, em relação a agosto de 2018.

 

 

 

 

 

5 de setembro de 2019