1 de novembro de 2017

Atacadistas e distribuidores debatem os impactos da expansão dos “atacarejos”

Em Alagoas, os setores atacadista e distribuidor respondem por 19.443 empresas que comercializam gêneros alimentícios e produtos de higiene pessoal, sejam no atacado ou no varejo. Com isso, o segmento de minimercados, mercearias e supermercados é a segunda maior atividade em empresas constituídas, empregando mais de 27 mil pessoas.

Apesar dessa importância significativa para a economia, o setor sente os impactos da expansão dos “atacarejos” (como ficaram conhecidas as marcas que vendem no atacado e no varejo ao mesmo tempo). Para debater sobre ao assunto, a Fecomércio Alagoas participou, hoje (1/11), de uma reunião provocada pelo presidente da Associação de Supermercados de Alagoas (ASA), Raimundo Barreto, e pelo vereador Francisco Sales (PPL), presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio de Maceió e também empresário do ramo alimentício. O encontro contou com a participação de empresários do segmento.

 

Pauta

A pauta principal da reunião foi a demanda apresentada pelos empresários acerca das dificuldades enfrentadas devido à concorrência com o “atacarejo”. Segundo afirmaram, existem empresas do ramo de minimercados que estão encerrando suas atividades por conta da concorrência gerada pela entrada, em Maceió e em Arapiraca, desta modalidade de negociação; fato que vem causando preocupação à Fecomércio.

Os impactos desta concorrência são percebidos, principalmente, por meio da gradativa diminuição no volume de vendas ao consumidor final e a consequente queda no faturamento. “Esta problemática não é sentida somente pelos varejistas, mas também pelos atacadistas e distribuidores. Ou seja, toda a cadeia tem sido atingida e prejudicada”, observou Izabel Vasconcelos, assessora técnica da Federação.

Como encaminhamento da reunião, será realizada uma análise da legislação estadual que regula a atividade e uma pesquisa junto aos minimercados e mercearias de varejo para levantamento das informações como volume de vendas dos últimos 12 meses, dispensa de empregados e outras dificuldades na manutenção do empreendimento.

De acordo com a assessora, após este levantamento, a Fecomércio e a ASA buscarão agendar uma reunião com a Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas com o propósito de discutir medidas que possam mitigar o efeito dessa concorrência.

 

Contexto

A sinalização de que existem empresas do ramo de minimercados fechando por conta da concorrência da modalidade de mercado “atacarejo” causa preocupação à Fecomércio. Em Maceió, já são contabilizadas pelo menos seis empresas do segmento, enquanto Arapiraca já contabiliza três.

Mas como funciona essa tendência de mercado agressiva que tem mudado a forma de vender no Brasil? O assessor econômico da Federação, Felippe Rocha, explica que o atacado é a venda direta da fábrica, em grande quantidade, sem intermediários, destinados a consumidores intermediários. Já o varejo é a venda de produtos em pequenas quantidades, destinados aos consumidores finais. “O ‘atacarejo’ é a junção dos dois mundos, unindo as vendas no varejo com o preço de atacado, mas oferecendo dois preços distintos, um mais caro para aquisição em menor quantidade e outro mais barato, para aqueles que vão comprar em grande quantidade”, orienta Rocha.

O especialista diz que o efeito negativo da concorrência do “atacarejo” é refletido de forma mais significativa nos pequenos empreendedores dos bairros da periferia da capital, onde se concentram o maior número de minimercados. “Esses pequenos empreendedores reinvestem seus lucros no Estado e se preocupam em manter seus empreendimentos e empregos. Cabe ao governo reavaliar os possíveis incentivos que tenham ocorrido para a permissão de ‘atacarejos’ na região. A concorrência igualitária é necessária para evitar estabelecimentos esvaziados e, no médio prazo, fechados em decorrência dessa agressividade”, avalia.

1 de novembro de 2017

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