20 de setembro de 2017

Após breve estabilidade, indicador de consumo registra queda

A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) realizada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento do Estado de Alagoas em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) demonstra que Maceió segue a tendência do Nordeste e apresenta uma redução no nível do consumo.

Enquanto o mercado nacional aponta a retomada econômica após dois trimestres seguidos de alta, o Nordeste vai a sentido contrário a registra redução de 0,5% na geração de riqueza. Em Alagoas, de janeiro até agora, houve uma redução de 1,3% no setor do Comércio e 1% no geral.

Segundo o assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, a refração reflete a alta taxa de desemprego. Para se ter uma ideia, o Estado registrou um índice de 17,8% de perdas de postos de trabalho, enquanto a média brasileira é de 13,3%.  “Isso afeta a renda dos consumidores e, principalmente, as famílias de Maceió, poia a capital concentra uma taxa de 17,1% de desemprego. Após a estabilidade do consumo registrada em julho, o mês de agosto demonstrou perda da dinâmica da renda para manter as vendas no Comércio, reduzindo 3,24% em relação ao mês anterior”, explicou.

De acordo com o economista, setembro mantém o ciclo vicioso e sinaliza queda de 3,35% no consumo quando comparado a agosto e de 15,63% em relação a setembro de 2016. “Para entendermos os motivos da redução do consumo não basta apenas observar o nível de desemprego da região, mas informações qualitativas que nos ajudam a montar um cenário de incertezas e preocupações dos consumidores que definem seus comportamentos”, reforça.

Por isso, ele explica que, assim como em agosto, houve redução (3,3%) no indicador de manutenção do Emprego Atual, o que significa que os consumidores de Maceió se sentem cada vez menos seguros no emprego. Essa insegurança inibe o consumo, gerando preferência pela liquidez. E como há certa dependência linear, se o Emprego Atual está menos seguro, as Perspectivas Profissionais que garantem a migração de postos de trabalho com melhor remuneração ou até menos a mudança de posto internamente retraiu 2,2% em relação a agosto.

A redução desses dois indicadores somada à alta taxa de desemprego acaba se tornando um peso superior à redução de preços da economia, ocasionando no consumidor uma sensação de estar mais “pobre” em relação ao mesmo período do ano passado, já que 0,9% dos entrevistados disseram estar com menos poder de compra.

“Todos esses fatores geram dificuldades para acessar crédito na economia, devido ao score ser reduzido devido a problemas com atraso das contas, inadimplência e outros fatores. Por isso, para a população conseguir crédito está 1,7% mais difícil comparado com agosto”, analisa Felippe.

A renda atual menor e o crédito mais difícil acabam repercutindo no nível de Consumo atual, que reduziu 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Também houve redução nas Perspectivas de Consumo, com queda de 7,6%, o que pode apontar um Natal mais tímido ou semelhante ao de 2016. A aquisição de bens duráveis demonstra um revés de 7,4% em relação a agosto.

Relatório completo disponibilizado no site do Instituto Fecomércio.

20 de setembro de 2017

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