29 de agosto de 2017

Pesquisa demonstra uma queda na procura por bens e serviços em agosto

Pesquisa sobre a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Maceió realizada pelo Instituto Fecomércio de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento de Alagoas em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) demonstra uma queda na procura por bens e serviços em agosto.

Após julho apontar uma estabilidade do consumo, agosto não foi um mês favorável ao comércio, já que o levantamento aponta uma redução de 3,2% no consumo. Em comparação ao mesmo mês do ano passado, o indicador é 9,87% menor. Na análise do assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, o desemprego continua sendo o maior responsável por esse recuo. Segundo informação contida na PNAD trimestral do IBGE, houve aumento na taxa de desemprego em Alagoas e de Maceió, respectivamente de 17,8% e 17,1%.

“Essas observações afetam o psicológico dos indivíduos. Do ponto de vista Keynesiano, tanto os empresários quanto os consumidores se tornam, cada vez mais, inseguros quanto ao presente e com incertezas em relação ao futuro. Como consequência, os empresários reduzem investimentos e custos, desempregando; enquanto os consumidores ainda empregados se previnem poupando e reduzindo dívidas de longo prazo a fim de evitar uma situação difícil em caso de desemprego”, analisa Felippe.

Esse cenário é constatado na pesquisa do Instituto Fecomércio. De acordo com o levantamento, os trabalhadores da capital estão 3,2% mais inseguros quanto à manutenção do seu emprego atual, o que reduz as perspectivas de consumo no curto e no longo prazo até que novas variáveis que estimulem o consumo surjam. Nesse contexto, se há insegurança também há falta de perspectiva de melhoria em seu posto de trabalho ou de arranjar um emprego melhor. Consequentemente, houve uma redução de 3,6% nas perspectivas profissionais destes trabalhadores.

O economista explica que se a sensação de insegurança e a incapacidade de enxergar melhoria em seu posto de trabalho já é algo ruim, pois diminui a propensão marginal a consumir, o desemprego tem afetado a renda das famílias, que com o orçamento reduzido passam a consumir apenas o essencial. Afinal, os dois primeiros trimestres de 2017 foram seguidos de alta do desemprego no Estado e na região. “Essa redução da renda familiar, mesmo com as informações do IBGE de que a estimativa da inflação do ano seja de 3,57% – bem abaixo da meta do governo (4,5%)-, não é suficiente para a retomada de consumo”, afirma Felippe.

Dessa forma, quando comparada à renda atual com o mesmo mês de 2016, o poder de compra recua 4,6%. E, se a renda diminuiu, a busca pelo crédito como forma de consumo retraiu 7,1% em agosto. Comparado ao ano passado, o consumo dos trabalhadores da capital está 3,3% menor. Ainda segundo a pesquisa, 3,6% dos consumidores acreditam que até o final do ano irão consumir mais do que o final do ano passado, fruto da proximidade do 13º salário.

Como os trabalhadores estão evitando a busca pelos instrumentos de crédito oferecidos por bancos e instituições financeiras, o consumo de bens duráveis (móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, e demais outros) diminuiu 3,6% entre agosto e julho. “Em meio a essas reduções, as informações de que o governo pretende injetar na economia o PIS/PASEPE dos aposentados é uma esperança para a retomada do consumo. E como o segundo semestre aponta recuperação dos postos de trabalho na região, devemos verificar redução da taxa de desemprego em Alagoas a partir do terceiro trimestre, melhorando o indicador de consumo na capital”, avalia.

 

Relatório completo no site www.fecomercio-al.com.br/instituto

 

 

29 de agosto de 2017

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