24 de março de 2017

Ascensão e queda da economia brasileira – Parte Final

Já foi dito que a década foi perdida, que a economia brasileira, hoje em sua pior fase, perdeu uma grande oportunidade de consolidação. Esse pensamento, apesar de verdadeiro, evoca uma antiga história lusitana.

No século XVIII, Lisboa era um dos lugares mais belos da Europa. Durante o reinado de Dom José, o Marquês de Pombal, destacava-se como a figura mais influente da corte. Numa manhã de domingo de 1755, dia de Todos os Santos, a cidade amanheceu ensolarada. Seguindo a tradição católica, boa parte do povo foi à missa. O dia corria pio e tranquilo até que às 9h40 Lisboa foi vítima de um dos maiores terremotos já registrado. Um abalo de 8,7 graus na escala Richter (que vai até 9) derrubou casarões, castelos e as igrejas lotadas de fiéis. Muitos dos que escaparam do soterramento fugiram para a zona portuária, enquanto refaziam-se do espetáculo assustador. O epicentro do terremoto foi no mar, por volta de 200 quilômetros a sudoeste de Lisboa, o que provocou poucos minutos depois um tsunami com ondas que ultrapassaram 10 metros de altura. Multidões foram arrastadas para o fundo do mar. As águas avançaram mais de 250 metros cidade adentro, enquanto o povo assombrado e ferido se acotovelava procurando refúgio. As partes de Lisboa não atingidas pelas águas foram acossadas por um incêndio que se estendeu por mais cinco dias. Dom José perguntou ao seu ministro o que deveria fazer diante daquele cataclismo. O Marquês não faltou à responsabilidade, dizendo apenas “Sepultar os mortos; cuidar dos vivos; fechar os portos”. Lisboa foi reconstruída. Até hoje o Marquês de Pombal é lembrado pela energia e temperança que dedicou naquelas épocas.

Economias ascendem e caem. O Brasil viveu essa experiência. Mas a postura do Marquês de Pombal pode nos ajudar a nos posicionarmos sábia e resolutivamente diante da crise.

“Enterrar os mortos” – É hora de virar a página, encerrar definitivamente a era de políticas públicas imediatistas, as quais se preocupam avidamente com os resultados das próximas eleições, esquecendo-se que uma nação é construída sobre bases sólidas.

“Cuidar dos vivos” – É hora de cuidar da classe produtiva, do empreendedor, de estimular quem gera emprego e renda para o país. É hora de clamar pela desoneração fiscal e tributária e por uma legislação trabalhista moderna, permitindo maior geração de emprego e renda. A maior parcela dos empregos no Brasil é gerada no comércio, este setor precisa receber o reconhecimento devido.

“Fechar os portos” – É hora de conter os gastos. Fazer da responsabilidade perante os recursos públicos uma política de Estado, não mais uma política de governo, variável como a direção dos ventos.

O terremoto passou, estamos vivos e o Brasil ainda existe. O Comércio de Bens, Serviços e Turismo tem um papel decisivo em sua reconstrução.

Wilton Malta – presidente da Fecomércio AL

24 de março de 2017

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