17 de março de 2017

Ascensão e queda da economia brasileira – Parte 3

Foi a crise política a responsável pela crise econômica ou foi a crise econômica que desencadeou a crise política? Esta pergunta tem sido repetida seguidamente desde meados de 2015, época na qual grandes manifestações da sociedade civil e a crise econômica – que até agora reverberam – coincidiram. É preciso alertar para o significado das palavras e coincidir quer dizer incidir no mesmo local.
A crise econômica corrói o clima político. Foi um grande erro abandonar a política econômica baseada no tripé equilíbrio fiscal, câmbio flutuante e controle da inflação em meados dos anos 2000. Durante essa época, o Brasil teve oportunidade de desfrutar de um ciclo de amplo crescimento econômico internacional. A economia do grupo chamado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) cresceu consideravelmente nesse período. O Brasil participou do ciclo de crescimento, mas desafortunadamente não se preparou para seu fim.
Suponhamos um comerciante que durante o bom momento de vendas aumenta exageradamente a despesa e o endividamento. Ele tem um carro mediano do qual restam 12 parcelas do carnê de financiamento. Tem uma casa modesta, mas confortável, e viaja duas vezes por ano com a família para casa de parentes. Porém, empolgado com a bonança, ele não quita o financiamento; troca de carro e financia um veículo bem mais caro em 72 meses. Ele vende a casa própria e dá o valor como entrada numa casa bem maior, financiada em 30 anos. Ele agora viaja com a família duas vezes por ano… para Miami. Depois de um tempo sua receita regride um pouco. Esse comerciante está em maus lençóis! Sua despesa fixa aumentou muito e ele não fez poupança. Essa é uma metáfora do Brasil.
A crise econômica gerou um clima de insatisfação da opinião pública. Essa insatisfação reverberou numa séria crise política, que resultou no impeachment da presidente Dilma. Aí entra o efeito bola de neve: esta crise política compromete a previsibilidade, a segurança fiscal, tributária e jurídica, afastando investimentos.
Não podemos negar que a situação econômica do Brasil está ruim, mas não podemos chamar a estabilidade institucional que parece ter retornado de uma coisa má. É um momento de reconstrução nacional. Nesse momento de reconstrução o antigo tripé (equilíbrio fiscal, câmbio flutuante e controle da inflação) ainda parece ser uma base sólida.

Wilton Malta é presidente da Fecomércio AL

17 de março de 2017

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