10 de março de 2017

Ascensão e queda da economia brasileira – Parte 2

Nesta terça-feira, dia 7 de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números oficiais de nossa economia no ano de 2016. A retração do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 3,6% em relação ao ano de 2015 – mas em 2015 o PIB já havia recuado 3,8%. O IBGE e o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) dispõem de dados desde 1901 e tornam oficial algo que já era intuído: são os piores números da história econômica brasileira. A situação do Nordeste é um pouco mais aguda, pois além de enfrentar a pior estiagem de sua história, soma-se a e desastre natural o desastre político-econômico.
O denominador comum que liga crise econômica e crise natural é a ausência de organização de políticas de Estado que se antecipassem aos ciclos de retração econômica e de estiagem; dois fenômenos amplamente conhecidos. Do mesmo modo que o Brasil foi incapaz de formular políticas de austeridade fiscal na época de crescimento econômico, o foi em formular políticas de convívio com a seca. Ora, como o desempenho do comércio nordestino está bastante atrelado ao desempenho do setor agropecuário, o efeito dominó foi evidente. Os números divulgados pelo IBGE demonstram que o recuo do setor agropecuário no Brasil foi de assustadores 6,6%.
“A Cigarra e a Formiga” é uma conhecida fábula de Esopo. Versa sobre formigas que trabalhavam na estação de fartura enquanto a Cigarra festejava e cantava. No período de seca, as formigas tinham juntado alimentos enquanto a Cigarra penava esfomeada. Quando lembramos da irresponsabilidade dos gastos públicos durante os anos de crescimento econômico (Copa, Olimpíada, a bolha imobiliária inflada por bancos estatais, o aumento do funcionalismo público…) percebemos que as antigas fábulas podem ajudar nossos governantes a entender aquilo que os manuais de Economia falharam ao ensinar.

Wilton Malta é presidente da Fecomércio.

10 de março de 2017

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