3 de fevereiro de 2017

Mudanças na concessão do crédito rotativo

Parte significativa da inadimplência dos consumidores brasileiros está concentrada em dívidas de cartão de crédito. Segundo dados do Instituto Fecomércio AL, o uso de cartão de crédito responde por 88% do endividamento dos consumidores. O conhecido “efeito bola de neve” da fatura que não é paga inteiramente e aumenta em velocidade assustadora em poucos meses afeta o equilíbrio do orçamento doméstico refletindo seus efeitos danosos no enfraquecimento de toda a economia.

Em 26 de janeiro passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu que as administradoras de cartão de crédito estão impedidas de financiar o saldo devedor de clientes na modalidade de crédito rotativo por mais de um mês. A partir do dia 3 de abril, ou o cliente quita integralmente a fatura vencida acrescida dos juros do crédito rotativo (mais de 15% ao mês e algo em torno de 450% ao ano!) ou será transferido pelo banco para outra modalidade de crédito – possivelmente o parcelamento automático da dívida (com juros de aproximadamente 8% ao mês e 150% ao ano).

Essa medida possui um efeito educativo sobre o consumidor, mas também há de gerar um efeito positivo sobre a economia: o pagamento de dívida sobre dívida em juros exorbitantes é um capital que circula quase inutilmente, pois não gera consumo, não gera renda e não produz. A primeira camada beneficiada será o comércio; essa é a nossa expectativa. Uma política econômica saudável implica num eficiente controle do crédito, mas, por outro lado, em meios razoáveis de pagamento. Em épocas turbulentas, medidas que favoreçam a previsibilidade são sempre alentadoras.

Wilton Malta é presidente da Fecomércio – AL

3 de fevereiro de 2017

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