6 de setembro de 2012

Sem acordo, bancários podem parar no próximo dia 18

A negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), realizada nessa terça-feira (04), não resultou em avanços, o que levou os trabalhadores do setor a decidirem por indicativo de greve para o dia 18. Antes da greve nacional, que será por tempo indeterminado, a categoria fará assembleias no dia 12, para a deflagração oficial do movimento, e 17, para se organizar a paralisação.

“Esperamos que até lá a Fenaban melhore sua proposta, que é de apenas 6% de reajuste”, disse o presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Jairo França, que participa das negociações em São Paulo. Segundo ele, para evitar a greve, os bancos federais também precisam responder concretamente às reivindicações específicas dos seus funcionários, o que, segundo ele, não aconteceu até o momento.

“Não existe qualquer proposta do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco do Nordeste, o que revela um completo descaso dessas instituições para com os seus empregados e a campanha nacional da categoria”, acrescentou.

Segundo o sindicalista, a negociação dessa terça com a Fenaban durou menos de meia hora. Contrariando as expectativas dos bancários, que reivindicam reajuste salarial de 10,35% (incluindo aumento real de 5%), a entidade patronal manteve a proposta de 6% (0,7% de aumento real) feita no dia 28 de agosto. Além de não avançar nas cláusulas econômicas, os bancos voltaram atrás no compromisso de montar um projeto-piloto em Recife para testar equipamentos de prevenção contra assaltos e sequestros.

"Os bancos empurram os bancários para a greve com esta postura intransigente. Eles não mudaram de posição sequer depois da divulgação da pesquisa do Dieese, na semana passada, revelando que 97% das categorias profissionais fecharam acordos com reajustes acima da inflação no primeiro semestre. Portanto, o sistema financeiro, o mais dinâmico e rentável da economia, tem condições de atender à reivindicação de aumento real de 5% dos bancários", disse Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

"Se setores econômicos sem a mesma pujança estão concedendo aumentos reais, os bancos podem muito mais. Somente os seis maiores bancos lucraram R$ 25,2 bilhões no primeiro semestre e ainda provisionaram R$ 39,15 bilhões para devedores duvidosos, um grande exagero para uma inadimplência que cresceu apenas 0,7 ponto percentual no período", reforçou Carlos Cordeiro.

Diretores têm aumento real na remuneração milionária

Para o presidente da Contraf-CUT, a postura dos bancos para com os trabalhadores contrasta com a benevolência em relação a seus altos executivos. Dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelam que a remuneração média dos diretores estatutários de quatro dos maiores bancos (Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander) em 2012 será 9,7% superior a do ano passado, representando um aumento real de 4,17%.

Ainda segundo a Confederação, a remuneração total dos diretores dos quatro bancos soma este ano R$ 920,7 milhões, contra R$ 839 milhões em 2011. Conforme a divulgação, cada diretor estatutário do BB embolsará este ano mais de R$ 1 milhã. Os do Bradesco receberão R$ 4,43 milhões, os do Santander, R$ 6,2 milhões, enquanto que os do Itaú saltaram de R$ 7,4 milhões em 2011 para R$ 8,3 milhões este ano.

"Vejam que situação perversa temos no Brasil. Aqui se concentram os maiores lucros dos bancos, inclusive dos estrangeiros, e também as maiores remunerações dos executivos. Então por que os salários dos bancários brasileiros estão entre os menores?", questionou Carlos Cordeiro.

Bancários querem continuar negociando

A Contraf-CUT, conforme orientação do comando de greve, enviará carta nesta quarta-feira (05) à Fenaban, manifestando disposição. Também encaminhará ofícios aos bancos públicos, cobrando apresentação de propostas para as reivindicações específicas dos trabalhadores, e aos bancos privados, para reiterar a exigência de negociações sobre garantias de emprego.

"Queremos continuar negociando, em busca de um acordo que contemple, sobretudo, aumento real, valorização maior do piso, Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de três salários mais R$ 4.961,28 fixos, mais contratações e garantias contra demissões imotivadas", reforçou Carlos Cordeiro.

6 de setembro de 2012

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